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sábado, 18 de janeiro de 2014

2013

em 2013 Mandela faleceu. na altura não veio aqui qualquer palavra, mas estive atenta.

quando Mandela faleceu, já velhinho, já o meu avô - o único que conheci fisicamente e de interações vividas, não através de relatos de terceiras pessoas - morrera.

também velhinho. e leve, e frágil como uma folha, mas forte como a seiva que alimenta a árvore.

quando o corpo do meu avô foi enterrado, o sol punha-se e estava fresco.

a memória do meu avô eu não enterro.

Abílio.
primeiro nome extravagante que conheci, do primeiro - e único - avô que conheci.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

pequeno exercício de raciocínio

no casamento, das palavras trocadas diz-se que é até que a morte os separe.
a morte.

mas, e quando vem uma doença, não física mas psicológica, e afasta para todo o sempre os conjugues? e um deles não tenha qualquer noção de si próprio, de identidade, e não consiga, qual criança, resistir aos impulsos? sexuais, nomeadamente?
a doença aí não os separa? num alienamento para um, um sofrimento para outro?

a vida não é como nos filmes, como no "Diário da Nossa Paixão", de Nicholas Sparks, em que a mulher tem Alzheimer mas por vezes reconhece o marido...
a vida tem por hábito vicioso ser mais complicada...

e onde fica o amor no meio desta relação? no conjugue que procura cuidar do alienado que amou, que se calhar ainda ama, e, por isso, sofre ainda mais?